Dia 14 – Um livro não-ficcional
Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva

Publicado originalmente em 1982, este livro é um relato do acidente que deixou Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, poucos dias antes do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de 'Feliz Ano Velho'. Apesar do tema trágico, 'Feliz Ano Velho' tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e fantasias sexuais. daqui.
Eu gosto muito de livros escritos em primeira pessoa. E eu comecei a ler este livro justamente porque ao ler as primeiras páginas pude perceber que ele se tratava justamente disso. Um livro narrado em primeira pessoa.
Pois é, os motivos das escolhas da maioria dos livros que eu começo a ler geralmente não são os mais nobres (ou a espessura do livro, seja ele grosso ou fino, ou a capa, ou o título). Li esse livro ainda bem novinha, devia ter lá meus 12 anos. Peguei ele na estante maravilhosa da minha mãe e fui logo devorando.
Li mais de uma vez em diferentes épocas da minha vida, e a cada leitura eu entendia um pouco melhor a história, que podia ser muito bem uma tragédia cheia de lamentações, mas é na verdade um relato de superação, que apesar de tudo ter acontecido por conta de uma tragédia, o Marcelo não se reduziu a um pobre coitado que sofreu um acidente e era digno de pena, ele tocou a vida, escreveu este livro e muitos outros. Adoro.



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