Família Tafinel

Causos do dia-a-dia, descobertas, alegrias e aprendizados da vida a dois.

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Fera, bicho, anjo, mulher.

24/12/2010

Dia 18 – Um poema

Teu Riso - Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.




Esse poema é lindo.
E o Carlos já escreveu esse poema pra mim algumas vezes, em algumas situações em que, quando faltaram as palavras, essas palavras fizeram as vezes e foram um alento, um colo, um refugio. Neruda sempre esteve muito presente entre nós, o filme "O Carteiro e o Poeta" conta um pouco sobre Neruda, e assistindo a este filme que eu comecei a me interessar pelos seus escritos, e acredito que o Carlos também o conheceu por esse filme, embora não tenhamos assistido junto. Aliás, uma boa idéia, adoraria assistir novamente este filme. Recomendadíssimo.

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